quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O que é viver no exterior (diário de uma estrangeira)

       Hoje recebi uma daquelas ligações voltadas ao consumismo e tive uma ideia.
      Antes de lhes falar desta ideia, gostaria de falar de uma estatística de meu rol de amigos virtuais no face...  Como sou criteriosa acredito que 95% das pessoas, quais se encontram no rol de amigos do facebook, já conversaram comigo, 5% conviveram comigo na infância, 2% são parentes de primeiro grau, 4% já estudaram comigo e o resto conversaram ou já me viram pelo menos duas vezes em suas vidas. :-) Dessa porcentagem de pessoas, 0,5% me broquearam ou então brigaram comigo em aberto. ehehehe! A maioria destes sabem também que não sou de guardar recados. "Penso, logo existo".
Não tento aqui, de forma alguma, me explicar por episódios, como o que ocorreu há alguns meses quando uma pessoa de nome Joel ( algumas pessoas lembram deste dia), alegando que não sairia do Brasil para assumir um subemprego. Claro que isto me deixou chateada, porque eu pensava que ele era um amigo e conversei com ele no inbox falando das minhas desilusões com a Suíça. Contei a ele sobre a minha dificuldade de ser aceita no mercado de trabalho, não porque eu não seja competente, mas porque nunca foi me dado as chances que eu necessitaria para comprovar que sou boa no que faço. Falo isto porque eu me esforço e procuro atender todas as exigências. Mal ele sabe que vim para este país por amor e por amor fiquei. Gostaria viver uma outra realidade e não ser sustentada pelo marido, mas, embora esta situação não me agrade, eu tenho que aceitar. Assim até aprendi a ser submissa. :-) (Acreditem quem quiser) Mas o que poucos não sabem é que há dificuldades que atrapalham o crescimento profissional de um estrangeiro. Um exemplo disso seria: um curso de 3 anos para se tornar açougueiro, um curso de 3 anos para se tornar vendedora de roupas, um curso de 3 anos para se tornar organizadora das prateleiras de legumes em um supermercado. Se eu conto, poucas pessoas acreditam que isto é realidade. Um outro obstáculo ainda existe, a seleção de escolha. Eu fiz o curso técnico de contabilidade, mas para exercer a profissão aqui, então terei que fazer um novo curso de 3 anos e passar por seleção rigorosa. Para que você tenha uma ideia do quanto é difícil, uma vez um estrangeiro se candidatou a uma vaga de limpeza na universidade no Cantão onde eu moro, ele não foi aceito ao cargo porque não falava inglês. Isto mesmo, um faxineiro tem que falar inglês, caso contrário não pode trabalhar nesta universidade. E mais, eles tem que fazer um curso de limpeza. Não sei quanto tempo, mas tem que ter diploma de faxineiro.

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